Fórum destinado a divulgação e composição do RPG - Naruto ''Shinobi no Sho'' - Sistema D8
 
InícioPortalFAQBuscarMembrosGruposRegistrar-seConectar-se
Buscar
 
 

Resultados por:
 
Rechercher Busca avançada
Menu
CSS MenuMaker
Últimos assuntos
» Ninjutsu Elemental
Hoje à(s) 13:19 por Fesant

» Duvidas, sugestões e correções
Seg 21 Maio 2018, 15:02 por Kagekiyo

» Feliz Ano Novo! Novidades do SnS para 2018!
Ter 08 Maio 2018, 23:24 por Fesant

» Naruto ''Shinobi no Sho'' - Livro Básico
Ter 08 Maio 2018, 23:20 por Fesant

» Dúvidas do Sistema
Dom 06 Maio 2018, 11:53 por Fesant

» Impressões e Dúvidas do Sistema
Ter 24 Abr 2018, 12:20 por Fesant

» [Dúvida] Genjutsu
Sex 06 Abr 2018, 13:08 por Fesant

» .:: Chat ::.
Sex 06 Abr 2018, 12:54 por Fesant

Parceiros
------------------------
------------------------
Naruto D20 System
------------------------
RPG News
------------------------
RPG Brasil
------------------------
Licença
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Compartilhe | 
 

 Episódio 02 | A Doença da Fome

Ir em baixo 
AutorMensagem
Darthix
Lendário
Lendário
avatar

Mensagens : 377
Data de inscrição : 21/11/2009
Idade : 23

MensagemAssunto: Episódio 02 | A Doença da Fome   Qua 17 Jan 2018, 03:56


Abertura




Kazuha, Jin e Yagura caminhavam tranquilamente em direção ao Setor III, mais precisamente, para a sede do clã dos Anjos. Andavam pela rota central da vila, pois era a mais larga, movimentada e menos perigosa, embora ninguém ousaria atacar aqueles três. Enquanto seguiam, lembravam dos acontecimentos de um atrás, de como os dois naturais de Ame inesperadamente conheceram Jin, e como este mais inesperadamente ainda se declarou aliado de Yagura. E sempre que lembravam, por mais vezes que fosse, Kazuha ria.

Apesar do bom humor que imperava na caminhada, o motivo da mesma era dos mais sérios. A doença da fome se alastrava na vila, e o maior foco da epidemia era justamente o Setor III. Por isso, a região mais segura da Vila da Chuva agora se tornava uma das mais perigosas. Os Lordes, donos de indústrias do setor, começavam a sofrer prejuízos, pois os funcionários gradativamente começavam a faltar ao trabalho, temendo por contrair a doença. Pouco se sabia sobre a enfermidade. Alguns diziam se tratar, ainda, de somente um rumor criado para prejudicar os Lordes e enfraquecer seu poder econômico.

Verdade ou não, algo precisava ser feito. O clã dos Anjos não conseguia lidar com a situação, e Kazuha pediu ajuda a Yagura. E no início da manhã, no pouco tempo em que a chuva deu trégua, estavam os três frente à casa dos Anjos, uma das poucas em Amegakure que guardavam o estilo de construção clássica. Dois criados abriram os portões, referenciando os recém-chegados silenciosamente, somente curvando levemente o corpo. Passando pela trilha aberta da entrada, que cortava os jardins, chegaram finalmente à entrada do saguão de entrada, onde Kazame já os esperava. — Kazuha-chan. Bem-vinda à sua verdadeira casa... Ah, você também veio... — disse ao final, quase em murmúrio, quando se referiu a Yagura, e ignorando completamente a presença de Jin. — Olá, Yagura.

Disse somente "Yagura", sem honoríficos. Kazame é o irmão mais velho de Kazuha, e sempre fazia questão de evitar honoríficos. Não para mostrar intimidade ao líder do clã Fuuma, mas sim por despeito. Sempre foi contra o casamento, mas nunca conseguia dizer "não" aos pedidos da irmã caçula. Kazame era alto, magro e ostentava um comprido cabelo loiro que amarrava em um rabo de cavalo. Usava óculos, e tinha a mania de sempre ajeitá-los no rosto, mesmo que não precisassem. À sua mão esquerda, trazia um caderno de anotações vermelho, que levava para todo o lado. — Entrem. Vamos à sala de reuniões.

— Kazame-nii! Yagura e eu já estamos casados há um ano... Já passou do tempo de você começar a mostrar mais cordialidade e respeito... — foi o que disse Kazuha enquanto entrava e esperava Yagura para seguir caminho pela casa, não escondendo o desgosto em sua face.

Caminhar por Ame era um dos passa-tempos favoritos de Yagura. Fosse por adorar o país onde vivia, fosse por cortejar a ideia de uma cidade melhor toda vez que via a paisagem cinzenta de lá, o rapaz trazia serenidade no rosto conforme perambulava entre os transeuntes, geralmente acompanhado pela esposa. Nesse dia, contudo, a seriedade do assunto mudou seu estado de espírito. Vestido com trajes shinobi, Yagura usava uma calça acinzentada, luvas negras e um colete comum de proteção. Por cima, um kimono aberto em cor marinho trazia a shuriken gigante negra estampada nas costas, com um capuz que o protegia contra a chuva acoplado. Fazia tempo que não visitava os parentes de sua esposa, e a despeito da forma como era tratado lá, os considerava aliados essenciais para a arquitetura do futuro que queria construir. Caminhou pela fronte da casa dos anjos e, quando recebido, curvou-se para frente em sinal de respeito, como sempre fazia: - Kazame-san, é um prazer vê-lo novamente. - Ele tratou de entrar em seguida, sinalizando para que Jin também acompanhasse o casal. Quando sua esposa decidiu defendê-lo, por qualquer motivo que fosse, Yagura sorriu e estreitou os olhos em sinal de uma pitada de falta de graça perante aquela situação: - Não se preocupe, Kazuha. Seu irmão deve ter motivos para agir como age. Imagino que seja um ciúme comum dadas as circunstâncias. - Estranhamente, Yagura se dirigia a sua esposa como se a pessoa em questão nem sequer estivesse ali. Era, de certa forma, seu modo comum de agir. Num último instante, se voltou para o grupo, incluindo Jin, e questionou em tom mais sério: - Perceberam algo no caminho pra cá? Mesmo dentro de nossos territórios, é bom termos certeza que não fomos seguidos.

Jin sequer reparou que sua presença havia sido ignorada. A sua falta de experiência no quesito social o impedia de esperar qualquer cordialidade ou o que fosse por parte dos demais. Acostumado a olhar tudo de maneira objetiva, limitou-se a olhar para Yagura e observar o que este fazia. Como parte de sua decisão de um ano atrás em segui-lo, adquiriu o hábito desde então de deixa-lo a cargo de todas as decisões. Ainda que isto se devesse principalmente ao fato de ele ser o líder do clã Fuuma, a verdade é que não ter qualquer responsabilidade aliviava um pouco Jin. Passando a observar Kazame, notou que não tinha qualquer opinião formada sobre o mesmo. Após alguns instantes entendeu o por quê disto: não se importava. De braços cruzados e uma expressão vazia no rosto, ficou ali, calado, como se esperasse que o tempo passasse mais rápido assim. O quer que fosse ocorrer dali pra frente, não teria influência sua - não até determinado ponto. Eis que foi surpreendido pela pergunta de Yagura. A verdade é que sequer havia reparado no caminho até lá. — Creio que não, Yagura-kun. - Ainda que tivesse respondido de maneira imediata, estava nítido em seu rosto que não fazia a menor ideia. "Alguém podia ter avisado que era pra ficar atento... Bem, fica de lição pra próxima."

Respostas e cumprimentos dados, caminharam todos até a sala de reuniões. Para Jin, era a primeira vez naquele lugar, enquanto que para Yagura aquela sala foi um dos primeiros lugares onde o clã Fuuma e o Anjos conversaram sobre a aliança. Não clássico estilo japonês, o lugar possuía uma grande mesa ao centro, com almofadas distribuídas ao redor, marcando os lugares a se sentar. Após Kazuha se mudar para o clã Fuuma, Kazame costumeiramente sentava à cabeceira da mesa, haja vista que havia assumido o posto de senhor daquela casa e guardião do clã em nome de Kazuha. Todavia, como a própria líder se encontrava ali, deixou para ela o lugar. Yagura, por natural, sentou ao lado direito da esposa. Jin sentou logo ao lado, e Kazame à sua frente. Quando Kazuha fez questão de começar a pequena reunião, seu irmão levantou a mão, pedindo a palavra. — Perdão, Kazuha-chan. Ainda falta Lie chegar. Já a mandei chamar... — e, por coincidência, uma figura feminina despontava na porta. — Ora. Já chegou. Sente-se aqui ao meu lado, Lie.

Ao ver todo mundo ali pensou que seria mais uma daquelas reuniões chatas ou coisa do tipo, mas não importava muito... Ficou um tempo ali encarando todo mundo até o momento que decidiu seguir seu caminho — Desculpe a demora. — Estava com a mesma expressão mórbida de sempre, então sentou-se arrumando aquela franja que atrapalhava sua visão, e permaneceu calada olhando para baixo  

— Yagura. Esta é Amano Lie, uma de nossas melhores ninjas médicas. Chamei-a por motivos óbvios. Já que o assunto é uma epidemia, nada mais plausível que uma médica esteja presente. — e voltando-se para Kazuha, completou. — Agora sim podemos começar.

— Obrigada, Kazame-nii. Como tem passado, Lie-chan! É muito bom vê-la novamente! — disse a líder, sorrindo, e já pronta para iniciar a reunião. — Como sabem, uma doença tem se espalhado pela vila, principalmente nos bairros periféricos: a doença da fome. No início, eu mesma pense que se tratava de um rumor, alguma mentira inventada por uma criança que tomou projeções maiores do que deveria... Mas tenho que reconhecer que estou muito possivelmente errada... Nós enviamos dois ninjas para investigarem de perto o periferia daqui, do Setor III, e ver com os próprios olhos o que era essa tal doença. Infelizmente, já se passaram três dias, e eles ainda não voltaram. Simplesmente desaparecerem. Estou tentada a concluir que sucumbiram a esta doença e morreram. Se fosse somente esse o caso, eu poderia até pensar se tratar de outra coisa, mas... Também é certo que alguns civis desaparecem quando usam uma rota próxima demais da periferia, então não se trata de um caso isolado. Enfim. Precisamos resolver essa questão, investigar apropriadamente, mesmo que seja algo feito por nós mesmos. Por isso, pedi a Yagura e a Jin que me ajudassem, e também pedi que Kazame escolhesse uma ninja médica para acompanhar. Se acharmos alguém com esta doença e conseguirmos dados dela, poderemos resolver esse surto...

Yagura observou a chegada da nova moça com um olhar de curiosidade. Os Anjos possuíam todo tipo de ninja, o que em muito diferia do clã Fuuma, cujo contingente era quase que inteiramente feito de combatentes da linha de frente. Quando a reunião se iniciou, o rapaz permaneceu calado, ouvindo com atenção. A doença era algo sobre o que já sabia, haja vista da posição de sua esposa, mas que até então não havia levado tão a sério, da mesma forma que todos os demais. Prostrando a mão no queixo e a outra por dentro da manga de seu kimono, Yagura tomou a palavra: - Não me importo de ir por conta própria, se for o caso. Talvez seja hora de tratarmos isso com um pouco mais de atenção... Formar grupos de quarentena é um bom começo. Se a doença estiver sendo espalhada criminalmente, a quarentena não prevenirá que se espalhe, mas ao menos teremos certeza que há uma mão externa trabalhando nisso. Se a doença não passar de um rumor ou armadilha, melhor ainda.  - Pausando por um instante, ponderou sobre o assunto um pouco mais, embora para seu cérebro não bastassem alguns segundos: - Matar pessoas é fácil e prático. Erradicar uma doença, não. Honestamente, eu prefiro lidar com uma invasão que com algo desse gênero.

Jin olhou para os demais enquanto a reunião ocorria. No momento em que Kazuha terminou de falar, sabia que não demoraria muito para que aquela conversa encerrasse. Estava claro o que deveria ser feito, ainda que Sawamura não quisesse ser ele a decidir isso. O quer que fosse que Yagura escolhesse, ele aceitaria. Descruzando os braços, observou a nova figura no local. Apesar de ela já estar ali há uns instantes, aquele foi o primeiro em que decidiu concentrar sua atenção nela. Não esboçou grandes reações e tampouco formou alguma opinião sólida sobre a mesma, embora o fato de ela ser médica ter despertado em parte o seu interesse. Quando Yagura terminou de falar, Jin sorriu, como se concordasse. Não tendo o que acrescentar - uma vez que nunca faria algo assim - voltou seus olhos para Kazame e Kazuha, esperando a reação dos mesmos para a resposta dada. Se dependesse de Jin, partiriam o quanto antes.

Uma garota um tanto quanto pequena, pele pálida como uma morta,  em volta de 1,65m de altura, cabelos cinzas em um tom bem anormal, olhos amarelos e penetrantes o que lembrava vagamente um olhar de falcão, uma franja que chegava ao seu nariz algo. Estava com um capa preta que a cobria, seu corpo não era muito visível. Olhou para a líder com respeito, apenas fazendo uma leve reverência com a cabeça ao mesmo tempo fechado os olhos. E novamente arrumava a franja que tanto incomodava. Amano desviou a atenção para Yagura que falava asneiras para ela, quase não ligou para o que ele havia falado e pior ainda era quem concordava com ele. Então decidiu tomar a conversa para falar algo relevante  - Bem, caso seja uma doença não acho que isolar vai resolver algo, afinal isso além de chamar atenção de outros vai ser um sinal para todos entrarem em pânico, o que podemos fazer e como a senhora disse -  Olhou para Kazuha na hora, mas ainda permanecia com aquele olhar mórbido  - Eu acho colher dados, pegar um espécime e trazer para analise em laboratório, ou podemos levar um Kit para lá e fazer os testes lá mesmo para evitar que a doença se espalhe... -  Dava uma parada dramática como se fosse realmente parar de falar, mas quase como que se fosse para quebrar as expectativas de todos tornava a falar  - Caso seja uma armadilha, podemos simplesmente eliminar todos -  "Hum, agora sim faz sentido o que o Fuuma falou" Voltou a se calar pronta para ouvir o que a líder fosse falar.

Yagura estreitou os olhos ao passo que se inclinou para frente, um tanto quanto surpreso com o curso de ação sugerido pela ninja especialista em medicina: - Se a doença se confirmar, sua ideia é não criar uma quarentena durante o curso de tratamento? - Uma das sobrancelhas do shinobi se ergueu levemente. Sua expressão não costumava mudar tanto assim a menos que estivesse realmente intrigado, irritado ou perplexo com algo ou alguém - qualquer que fosse a opção para aquela ocasião. Com um suspiro, e retomando a postura ereta na qual estava, acenou em dispensa, como se não precisassem responder sua pergunta.

— Humm. De toda forma, precisamos ver a doença de perto primeiro pra tomar qualquer outra decisão. Enquanto isso, meu irmão e eu começaremos a organizar um possível plano de isolamento dos doentes, tal como Yagura sugeriu. Como faz um tempo que não vejo até a sede, precisamos rever nosso pessoal, nossos equipamentos médicos... Fazer um levantamento para saber se algo está em falta ou em pouca quantidade... Mas, quanto à investigação... Você poderia cuidar disso, anatá? Eu ando um pouco enjoada... Não queria sair em missão esses dias. Além disso, preciso cuidar das coisas aqui. Você, Jin-san e Lie-chan poderiam ficar a cargo disso, não é? — pediu gentilmente a esposa, sorrindo enquanto afastava da frente do rosto uma mecha de seus cabelos compridos, prendendo-a atrás a orelha.

Yagura entreolhou sua esposa e seu cunhado, mas apenas por um breve instante. Uma certa noção veio à sua cabeça, e preferiu não comentar ou questionar nada no meio de tanta gente. Com um sorriso, acenou com a cabeça em caráter positivo: - Claro. Aproveite sua estadia em casa para descansar e ver sobre o que se trata esse ... enjoo. Meu clã falta com os cuidados necessários para tratar de certos assuntos, infelizmente. Em todo caso, nós três somos mais que o suficiente. E tenho certeza que Jin vai gostar da ideia de sair do ócio por alguns dias.  - Concluiu, olhando para seu companheiro. Com as mãos sobre a mesa, curvou a cabeça levemente para os presentes, como se já buscasse o encerramento daquela reunião. Para todos os efeitos, estava pronto para sair o quanto antes, mas talvez precisasse enviar um corvo para seu clã avisando da possível ausência.

Jin olhou de lado para Yagura, após o seu comentário, acenando com a cabeça em sinal de que concordava. Estava difícil esconder a sua felicidade, mesmo no meio de tanta seriedade com um problema daqueles. Revelando-se estar meio inquieto, apertou o punho em sinal de que estava pronto. Ainda que estivessem indo somente averiguar um local onde uma doença havia se propagado, Sawamura no fundo esperava que fosse uma armadilha. Embora isso não se devesse por praticidade, como era o caso de Yagura, ele preferia simplesmente pela ação em si. Lhe incomodava a ideia de ficar enferrujado por falta de combate. Com o devido respeito à esposa do seu companheiro, despediu-se da mesma de forma educada. — Cuidaremos disso, Kazuha-chan. E melhoras.

Suspirava com o cometário de Yagura cada vez mais odiando aquele homem. Logo com o fim da ordem da líder, Amano acenava positivamente, mas uma pulga ficava na orelha, afinal enjoada?  - Minha senhora, eu cuidarei disto com a maior perfeição. -  Fazia um sinal com a mão para si, mostrando que a franja estava novamente em seu olho, fazia uma leve movimentação com sua mão esquerda para arrumar aquilo novamente, parava de falar enquanto isso como se arrumar o cabelo tomasse 100% de sua atenção  - A senhora precisa de mais alguma coisa? Esse enjoou a senhora está bem? -  Olhava para Yagura pensando que ele era um idiota como sempre. A única que poderia tratar Kazuha com maestria era Amano oras. Levantava-se indo em direção a Kazuha.

— Estou bem sim, Lie-chan. Nada que voltar aqui e caminhar de novo pelo jardim não resolva! — disse a líder dos Anjos, em tom doce.— Ficarei aqui, esperando o regresso de vocês. Apesar de conhecer a habilidade dos três... tomem cuidado, sim? — e com os três ninjas respondendo afirmativamente com a cabeça antes de se levantarem, a reunião se encerrava.

Amano Lie, Sawamura Jin e Fuuma Yagura seguiram até a periferia do Setor III. Não era distante dali, e em poucos minutos de corrida já se deparavam com um dos focos das mazelas de Amegakure no Sato. Toda a região periférica da vila tinha aquela aparência: casas mal-acabadas, ou mesmo parcialmente destruídas pelas chuvas incessantes; iluminação parca, que tornava a região escura na maior parte do tempo, quando as nuvens nebulosas pairavam sobre a vila; e o mau-cheiro dos dejetos e restos humanos. Sim, restos humanos. Não havia outra denominação para as pessoas que se amontavam nos becos e vielas, sem moradia ou comida. Bebiam a água da chuva acumulada no chão, vestiam trapos esfarrapados, sujos e rasgados, que conseguiam vasculhando os lixos a céu aberto. Aquela era a verdadeira cara da Vila Oculta da Chuva. A cara ignorada por algumas facções, e exploradas pelos Lordes.

Enquanto andavam, nada de anormal lhe saltava aos olhos. Tudo ali era somente as penúrias já conhecidas. Mesmo os aparentemente doentes, mostravam sinais de pneumonia ou alguma doença de pele, mas nada de estranho que pudesse relacionar com alguma doença desconhecida. Avançaram mais um pouco, já sem esperanças de encontrar algo, ou quase que tendenciosos a pensar que a doença da fome era meramente um rumor. E eis que, ao menos, algo relacionado à fome ocorreu. Um morador daquela rua se aproximou do grupo, que no momento andava pelo chão. Estava todo coberto por trapos, impossibilitando de ver seu rosto e o tronco. Praticamente se arrastou pelo chão até alcançar Amano Lie, que era a mais próxima, e pegou em sua mão, visivelmente sem forças. — Por favor... não aguento mais... preciso... comer... essa... fome... não passa...

A reação comum de Lie seria olhar o mendigo com pena. Mas a kunoichi foi surpreendida e não teve espaço para isso. Inesperadamente, o homem a apertou com uma força incomum e tentou morder sua mão! De forma ágil e sem qualquer dificuldade, a ninja empurrou o homem, que caiu ao chão. No ato, parte do manto que lhe cobria a cabeça caiu, mostrando um rosto de expressão espantada, olhos saltando das órbitas e a boca salivando. No entanto, o que mais chamou a atenção foram estranhas manchas pretas ao redor do rosto do homem.

O fato chamou a atenção de Yagura e Jin. E quando todos pararam para olhar mais atentamente, notaram que em alguns cantos mais afastados parecia haver pessoas no mesmo estado, e pior: grupos de 2 ou 3 pessoas pareciam estar sobre outras, mordendo-as de forma voraz, grunhindo.

Aquele lugar fazia a garota lembrar de onde tudo havia começado - o lugar onde tinha visto a sua mãe morrer não era muito diferente daquele. Ao ver o homem não demonstrou muita reação: estava o observando para poder assim tentar ajudar, mas quando ele pegou em sua mão, pensou rápido evitando a mordida. No mesmo momento, deu passos para trás como que num reflexo, enquanto enchia a mão onde ele havia tocado de chakra - um chakra denso estilo Iryou - pretendendo assim evitar a qualquer custo que sua mão fosse infectada com seja lá o que fosse aquilo. O rosto do velho não a surpreendia muito - afinal era uma médica - tinha sangue frio para esse tipo de coisa.  - Seja lá o que for está mexendo com a mente deles, estão com fome ao ponto de cometer canibalismo.- Olhava em volta surpresa, era a primeira vez que algo assim acontecia. Pessoas atacando pessoas... Não era qualquer coisa. Isolar aquele lugar não perecia mais uma ideia ruim, então parava de mandar chakra para sua mão pensando já bastar. - Isso não é bom, talvez não seja um lugar tão bom para analisar um espécime... Acho melhor pegar um deles e recuar agora mesmo! Estamos muito expostos aqui! - Olhava para os dois esperando que eles concordassem.

Yagura arregalou os olhos em surpresa. Estava acostumado a todo tipo de situação, mas o estado daquele homem era simplesmente deprimente de mais. No instante em que o ataque foi evitado, o shinobi automáticamente sacou sua espada, quase que por reflexo. Ele desapareceu num salto e correu de encontro aos dois homens que mastigavam pessoas mais perto e os atacou sem misericórdia, visando matá-los de forma rápida e indolor: - Matem os frenéticos. No mínimo tentarei salvar o máximo de pessoas possíveis. - Foi a única coisa que disse antes de desaparecer. Se fosse capaz de acabar com aquele grupo, imediatamente vasculharia em busca de mais pessoas naquele estado - a única chance para os que não haviam atingido aquele estágio era eliminar os que já estavam fora de si, para então elaborar um plano melhor. Deixá-los à mercê, lidando com uma praga daquele tipo, não condizia com o que queria para o povo.

— Mas que diabos... - Jin surpreendeu-se com a cena. Eram poucas as vezes que alguém podia ver ele realmente surpreendido, já que a maior parte das situações ele simplesmente não se expressa tanto, ou ao sequer se importa a ponto de demonstrar algo. De olhos arregalados, assistiu a aparição de vários grupos de pessoas aparentemente infectadas. Olhando para Yagura, esperou que ele dissesse o que fazer, como de costume. Quando ele finalmente deu o comando, sem hesitar Sawamura correu na direção de algum grupo de infectados. Tirando a camisa enquanto se locomovia, enrolou-a no punho, o qual usava pra desferir socos em todos os fora de si que visse. Ainda que estivesse atacando pra matar, como instruído por Yagura, preferia não se infectar, usando a sua roupa como forma de se precaver. Olhando de lado para Lie, buscou ver o que ela iria fazer. Embora ela tivesse sugerido o seu plano de ação, Jin atendia somente ao líder dos Fuuma.

Yagura partiu em velocidade para atacar um dos dois "frenéticos" que atacavam uma pessoa. Com sua espada, sem qualquer dificuldade cortou o braço esquerdo de um dos alvos, e quando ele deixou de agarrar sua vítima para se voltar desesperadamente contra Yagura, o ninja desferiu outro golpe, arrancando-lhe a cabeça. Do outro lado, Jin fazia o mesmo: com a rapidez que lhe é característica, avançou contra um dos dois frenéticos, lhe desferindo um soco tão poderoso na cabeça que a afundou ao chão, quase partindo-a ao mesmo, e manchando o lugar de sangue. Por surpresa, agora que estavam mais próximos dos homens infectados, os dois shinobis notaram que a primeira concepção que tiveram foi equivocada: eles não estavam comendo ou mastigando a vítima que estava ao chão. Somente a mordia, e ficava sobre a ela, agarrando com força e desespero, como se estivesse sugando algo da mesma. A marca deixada na vítima pelos dentes e pela boca do homem que acabaram de marta também transmitia essa ideia. Não era um canibalismo. Algo diferente ocorria com aquelas pessoas.

E como se uma presa fosse notada no meio do território de lobos, várias outras pessoas com a mesma aparência infectada começaram a despontar ao redor do três ninjas, cercando-os. À primeira vista, eram cerca de 15 homens com os mesmos sintomas. Como eram todos civis, os shinobis não teriam dificuldade em lidar com eles, embora fosse trabalhoso e perigoso. Eles não sabiam se receber uma única mordida ou ferimento seria suficiente para também serem infectados. E esse era o maior receio em suas mentes.

Entretanto, o grupo logo descobriria que havia outro receio ainda maior, e que logo se mostrou perante eles. Amano Lie, dotada de uma excepcional capacidade sensora, notou que duas novas presenças se aproximavam também. A quantidade de chakra delas era a mesma de todos aqueles homens infectados, beirando a zero. Contudo, as assinaturas de chakra eram conhecidas. Quando as pessoas dessas assinaturas finalmente chegaram, os olhos não desmentiram o que o sensor lhe dizia. Tratavam-se de Gakushi e Hagane, os dois ninjas desaparecidos do clã dos Anjos. Suas aparências, no entanto, não eram normais... apresentavam os mesmos sintomas dos demais civis naquele lugar. E quando se depararam com os três ninjas em missão, Hagane falou, de forma descoordenada e quase incompreensível — Preciso... preciso... de chakra! Me dê!

Olhava para os dois ninjas em meio aos infectados, então chamou atenção dos dois trouxas para os outros dois troxas que estavam infectados - Aqueles dois. -  Apontou rapidamente para eles  - São do clã dos anjos, ambos sem chakra, não são uma grande ameaça, mesmo assim cuidado e vamos leva-los de volta conosco quando acabar com toda essa bagunça que VOCÊS provocaram. -  Então voltava a se concentrar nos infectados.

Jin voltou a ficar surpreendido. A aquela altura do combate - isto é se podia se caracterizar como tal - era de se esperar que bizarrices tornassem a acontecer. A aparição dos dois ninjas dos Anjos - segundo as informações de Lie - fez o renegado levar mais a sério a situação como um todo. — Está ficando muito cheio isso aqui... Chega de me segurar. - Um chakra poderoso começou a envolver todo o seu corpo, ficando visível a olho nu para todos ali presentes. Imediatamente começou a transformar-se na natureza elétrica, revelando a afinidade Raiton da técnica. Aos poucos os cabelos castanhos de Jin começaram a se erguer, ficando espetados. Ele não iria mais se conter. Embora o mistério por detrás daquilo tudo, aquela armadura parecia ter o efeito imediato de conceder velocidade. Isto ficou claro quando ele decidiu finalmente se mover. Numa velocidade absurda, Sawamura ressurgiu no alto, pulando sobre os civis que cercavam o grupo. Ainda que ele tivesse acabado de reaparecer ali, a rapidez não parou por aí. Voltando a desaparecer em meio ao céu, somente o seu vulto foi capaz de se mostrar visível quando já estava atrás dos dois ninjas agora inimigos, já no chão. Desferindo um poderoso soco, procurou acertar um deles com toda a potência adquirida no impulso. Ainda que velocidade fosse a sua vantagem, a sua força não ficava pra trás.

Jin buscou acertar Gakushi, embora não soubesse diferenciar quem era quem. A velocidade do ninja era tamanha que o shinobi infectado nem reparou quando o nukenin de Kumo chegou às suas costas. Sem defesa, recebeu somente um soco giratório na lado direito no rosto, sendo jogado com força para o lado e forçado a dar uma cabalhota no chão para se reerguer. Neste momento, pela destreza ao se levantar prontamente, Jin notou que, embora infectado, aquele homem ainda conservava suas habilidades como ninja.

Em resposta, o ninja doente avançou contra Jin. Mas este era muito mais rápido e somente precisou dar um pequeno passo para o lado para se esquivar do soco que o inimigo tentou dar.

Ficou olhando novamente o que Jin fazia e queria chamar ele de idiota, mas cansou de se irritar com isso, então focou sua atenção nos infectados a sua frente. - Eu não vim aqui para lutar, mas já que não tenho outra escolha. -  Fechava os olhos, então sacava senbons, acabava furando um dedo por estar de olhos fechados, então os abria e atirava em um dos infectados permanecendo parada, parecia não querer gastar chakra com simples civis. - Agora limpe a sua bagunça! -  Enquanto tacava as senbons jogava essa para o Yagura como se fosse tudo culpa dele.

Lie arremessou os projéteis contra um dos civis infectados. Por não possuírem qualquer habilidade de combate, acertá-lo foi simples, e seria assim contra todos. Somente se os ninjas cometessem um erro esdrúxulo, ou se desconcentrassem, é que errariam alvos sem qualquer perícia.

O início da luta marcou o momento em que Yagura guardou sua espada e preparou-se para levar aquela situação mais a sério. Observando o desenrolar dos primeiros segundos de combate, seus olhos afiados migraram de um ponto ao outro do campo de batalha, avaliando a situação: - Avance, eu cuido dos infectados. - Suas mãos se moveram diante do corpo e iniciaram uma sequência quase invisível de selos, terminando em Cavalo - com as mãos sobrepostas, gritou o nome de sua técnica: - Fuuton: Rassenpü! - Os ventos se revolucionaram ao seu redor, criando um enorme furacão que varreu a área de 10m ao seu redor. Através de concentração e controle de chakra, fortaleceu ainda mais a técnica adicionado alguns selos e improvisando uma versão melhorada.

Com o aviso de Yagura, Lie se afastou dali, movendo para próximo de Jin ao saltar primeiro sobre uma casa e depois para o chão, pousando a 5m do aliado. Assim, deixou a pequena horda de infectados aos cuidados do líder do clã Fuuma, que fez jus ao seu título. A explosão de ventos se espalhou em todas as direções, empurrando todos os enfermos para longe. Alguns literalmente foram jogados aos céus, caindo sobre algumas casas, totalmente inertes e provavelmente sem vida. Outros quedaram ao chão, também imóveis. Somente 5 deles teimaram a ficar de pé, olhando para Yagura com autêntica expressão de um animal faminto.

O outro ninja doente, Hagane, também se virou para Jin para atacá-lo. Diferentemente do outro, ele saltou, tentando aplicar um golpe descendente com o joelho direito. Com facilidade, Jin se esquivou, dando um passo para o lado. Entretanto, algo diferente ocorreu naquele ataque. Quando o inimigo saltou, Jin teve a impressão de que ele teve uma súbita ampliação na velocidade, e quando ele desceu, golpeando o chão no espaço onde o nukenin deveria se encontrar, uma pequena cratera se abriu, mostrando que aquele golpe tinha uma força bem acima do comum. Com sua percepção de chakra, Lie também notou um fenômeno estranho: um aumento súbito de chakra ocorreu no corpo de Hagane, chakra este que se dissipou instantaneamente após o golpe, voltando a zero.

Enquanto isso, os 5 homens que estranhamento resistiram à técnica de Yagura avançaram contra quase de uma só vez. O primeiro tentou agarrá-lo, e o ninja girou o corpo, esquivando e dando um chute em suas costas para afastá-lo. O segundo tentou o mesmo, mas Yagura também repetiu sua manobra de defesa, empurrando para o lado. Os outros três avançaram ao mesmo tempo, forçando o Fuuma a saltar, dando uma cambalhota no ar e pousando ao lado deles, evitando por completo o ataque.

Jin observou pra cratera originada pelo golpe do inimigo e surpreendeu-se - fez bem em ter levado a sério desde o início. — Elbow! - Girando o corpo, desferiu uma violenta cotovelada na direção de Gakushi, na tentativa de empurra-lo. Manter a distância era crucial para o seu estilo de combate e, ficar no corpo-a-corpo com dois inimigos estava se mostrando uma dificuldade.

Gakushi tentou desviar, mas foi atingido pela cotovelada de Jin que revelou ter mais força que o normal. A primeira técnica demonstrada pelo seu estilo revelou ser um golpe potente: o inimigo foi arremessado a incontáveis metros, tamanho foi o impacto.

Estava ao lado de Jin e achou aquilo estranho, não tem como chakra surgir assim do lado, então ficou prestando mais atenção no chakra dos dois, queria ver se acontecia uma outra vez. E se acontecesse, da onde viria o chakra já que eles não tinham? Enquanto isso olhou para o outro ninja que estava infectado e quis testar uma coisa  - Então vocês querem chakra... Hum -  Sorria ativando o bisturi de chakra aumentando ainda mais o chakra, queria ver se ele sentia onde tinha mais chakra  - Você quer chakra? Vem pegar! -  Ficou olhando para ele, esperando algum chakra de fora, ou alguma movimentação, qualquer coisa que pudesse lhe dar mais informação.

Assim que viu seu companheiro desferir o golpe no inimigo e enviá-lo voando, as mãos de Yagura iniciaram outra sequência de selos em meio a uma série de esquivas e pulos, desviando das investidas dos infectados ao seu redor. Quando concluiu respirou extremamente fundo e inflou o peito, disparando da boca uma sequência de jatos de ar em linha que formaram lâminas poderosas de vento no ambiente: - Fuuton: Shinkū Renpa! - As lâminas cortaram o próprio chão conforme traçaram caminho até o alvo, visando o adversário que havia sido deslocado de seu grupo.

As lâminas de ar varreram tudo o que tinha pela frente: as pedras que calçavam o chão e o ninja doente que falhou na evasiva. Como espadas do mais perigoso fio, cortaram inúmeras vezes o corpo de Gakushi, que quase caiu ao chão de tão grave que seu estado havia ficado. Naquele ponto, ele não aguentaria mais um ataque, deixando os ninjas de Ame mais preocupados com os inimigos restantes: Hagane e os cinco civis doentes.

Continua...
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
 
Episódio 02 | A Doença da Fome
Voltar ao Topo 
Página 1 de 1

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Naruto: Shinobi no Sho - Sistema D8 de RPG :: Tenkai :: Amegakure no Sato (Vila Oculta da Chuva)-
Ir para: